Nicolas Baretzki International CEO Maison Montblanc

Nicolas Baretzk International CEO Montblanc
Nicolas Baretzk International CEO Montblanc

Estive em Florença de 13 a 15 de Junho,  para o lançamento Internacional da nova linha 1926 Montblanc Heritage, que celebra o ano em que a Maison Alemã iniciou a sua aventura fora do Universo dos instrumentos de escrita, e falei com o novo CEO Montblanc Internacional, Nicolas Baretzki, no lindíssimo Hotel Saint Regies.

Quis saber mais sobre esta linha, mas também sobre a sua visão de uma Maison com 110 anos, e também as suas expectativas em relação ao futuro da Montblanc, e o que sente em relação a este seu novo desafio Profissional, que como o mesmo refere “Estou aqui para dar continuidade a um trabalho muitíssimo bem feito, respeitando todo o legado e historia Montblanc.” e com a sua simpatia e em tom de graça confidenciou-nos, “Neste momento se eu pudesse pedir um desejo, seria ter um dia de 26 horas e não de 24 horas, mas infelizmente acho que não tenho esse poder.”

Nicolas Baretzki entrou para o Grupo Richemont em 2002, depois de terminar os seus estudos em paris, na Ecole des Hautes Etudes Commerciales , começando com o seu caminho dentro do Grupo Francês na Cartier, depois surgiu o desafio com a Jaeger-LeCoultre outra marca do Grupo.

Como é que conseguem estar sempre a inovar e a surpreender o mercado?

NB Para alem do ADN da Maison, quando lançamos um novo artigo, queremos sempre conseguir uma forma de inovar, de surpreender, de acrescentar algo.

Pode ser através de uma abordagem ao material, como aconteceu no passado em relação á linha Extreme, pode ser através da sua funcionalidade, ou mais recentemente através de unir o passado e o futuro, usando novas ferramentas, como o digital, que surgiu com o smart Watch Summit.

E agora com esta nova Colecção a 1926 Montblanc Heritage, o facto de estarmos em Florença, onde temos o nosso departamento de pele, e embora tenhamos começado na historia da Maison Montblanc com os artigos de pele, de forma a complementar os nossos instrumentos de escrita, em 1926, tivemos desde ai uma evolução considerável, e com esta linha que possui um cariz Vintage mas ao mesmo tempo peças actuais, é também uma novidade que trazemos neste momento ao cliente Montblanc.

Temos uma excelente equipa criativa e de design, e realmente tem feito um trabalho extraordinário.

Depois do enorme sucesso do lançamento da Colecção que comemorou os 110 ano da Maison, surge a linha Urban Spirit, o Summit lançado em Londres,  mais recentemente a parceria com a Unicef, e a linha que simboliza essa união, e agora esta nova linha de pele, a Heritage…

Será a Montblanc imparavel!?

Esse é o desafio de trabalhar aqui, essa é a parte divertida de trabalhar na Montblanc, trabalharmos com diferentes categorias de produto ( Instrumentos de Escrita, Relojoaria, Joalharia, Pele ), sermos uma empresa dinâmica, e possuirmos uma equipa criativa de topo, mas mantendo sempre muita consistência, existe uma ligação entre os artigos, todos são diferentes, mas encaixam-se uns nos outros, todos “casam” uns com os outros.

Mas no nosso ADN existe uma necessidade de inovar, de correr riscos, eu não diria inparaveis, mas sim que não temos limites quando se trata de criar, de inovar.

Em relação a Colecção 1926 Montblanc Heritage, qual foi o ponto de partida, a inspiração?

O ponto de partida foi exactamente a comemoração do ano em que lançamos a primeira linha de pele, e tentamos pensar, qual seria a melhor forma de sublinhar esta data, e surgiu esta linha, que une a tradição as necessidades de hoje, em que tudo é mais rápido, cada vez queremos peças mais praticas, versáteis e confortáveis.

Com os seus tons terrosos do deserto, o design da nova coleção resulta da elegância vintage das viagens de safari e a exploração de terras e culturas distantes. A forma natural como o couro é seco, e a técnica de pintura, que torna cada peça única e especial, passando pelos metais das fivelas, os pontos mais grossos no couro,  até ao próprio toque, confortável, macio e extremamente maleável. 

Como é que o mercado está a reagir à aposta da Montblanc nos artigos de pele, será este produto, um foco cada vez maior da Maison?

Sim, é um segmento que não é somente o luxo, a componente de craftsmanship, mas também têm haver com estilo, e a Montblanc tem ido cada vez mais de encontro a um lifestyle de luxo. Nos não queremos ser uma Maison de moda, mas com a pele nos podemos ate ser mais ousados a nível de design.

O segmento de pele, é bastante dinamico, e eu penso que é uma outra oportunidade de criar ligações com o nosso cliente, passamos de peças pequenas de pele, a termos nas coleções peças com mais “corpo” e com outras funcionalidades.

Observando algumas parcerias criativas que tiveram lugar recentemente com a linha Montblanc Tattoo Edition, em que convidaram um tatuado Italiano, ou a Urban Spirit com a aplicação de Grafite na pele dos artigos, é possível juntar luxo e artes urbanas? Será que iremos ver mais estas parcerias no Futuro? 

Essa é uma boa pergunta, sim, eu acho que esta mistura é realmente bem vinda, pois dá um toque de modernidade ao produto, como vimos com essas duas situações, e também acaba por existir para todos uma aprendizagem destas uniões, é de facto um produto “vivo” , personalizando, e tornando a peça ainda mais única, pode não querer usar tatuagens na própria pele (e nisto, os seu olhar fixa os meus braços, e diz com uma gargalhada contagiante, “embora existam pessoas que queiram e gostem!” ), mas gostar da arte, usando-a nos seus companheiros de dia a dia em pele.

Sim, podem esperar que irão existir estas parcerias, que mostram ser possível e até interessante essas “misturas” inexperadas.

Existindo a Montblanc ha 110 anos, acredita que mais do que uma Maison com varias categorias de produto …é de facto uma Maison que ajuda a criar memórias e que transmite emoções? 

Quando temos a oportunidade de estar numa Maison com essa longevidade, muitas historias e experiências,  seria um desperdício não utilizarmos esse conhecimento.

Eu creio que o sucesso dos nossos produtos têm de facto haver também com as emoções que se constroem, como com esta nova colecção, o toque, o cheiro, que quase nos remetem para a pasta dos nossos avos, que nos trazem memórias. Já com o relógio Summit, que temos que tocar, procurar, “brincar” com ele, faz-nos descobri as suas funções, ou com o prazer de escrevermos com os nossos instrumentos de escrita…

Por isso sim, se podemos ajudar a criar emoções para alem do prazer de usar um produto com qualidade, e visualizar a sua beleza, então é sinal que temos feito de facto um bom trabalho!

Mudando de assunto, em relação á sua nova posição na Montblanc que ocupa desde Abril deste ano, sente que este é um novo desafio na sua vida?

Claro, claro que sim, embora eu já tivesse começado a trabalhar com a Montblanc em 2013, já me encontrava no grupo Richemont desde 2002, assumo que não estou aqui para mudar nada, mas sim para garantir que continuamos no caminho certo, até porque estamos no caminho certo.

Mas sim, é uma Maison complexa e com desafios constantes,  acho que poderei dizer que estou orgulhoso, mas também tenho a noção do trabalho que isso implica, e por isso uma sensação de humilde perante este capitulo, é a melhor forma de poder fazer o melhor trabalho possivel.

Entendo esta fase como um desafio muito excitante, e que estou aqui para escrever mais um capitulo da Historia da Montblanc e dar continuidade como já referi ao que se têm feito até então.

 

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