PEDRO CRISPIM, COMO NUNCA O LEU!

Pedro Crispim possui uma imagem forte e marcante, que se foi transformando e amadurecendo ao longo dos anos, fruto de um maior auto-conhecimento e consciência de si mesmo, mas o conhecido Stylist afirma sem receios “Não sou bonito, sei tirar partido das minhas características, mas não sou bonito, pelo menos não de forma obvia…sou atípico, talvez o que tenha seja carisma, ou algo do género, mas isso nada têm que ver com beleza!” .

Combinámos encontrar-nos num pequeno café na Av. da Liberdade, perto do seu Atelier, as 10:30 da manhã numa Segunda-Feira cheia de sol. Quando chegámos, o Ex Esquadrão G ( programa que co-apresentou na SIC em 2005 ) já lá estava, na esplanada, de óculos escuros e todo vestido de preto, dono de uma figura alta e esguia, Pedro estava sentado com o seu computador em frente, a responder a uns e-mails, enquanto bebia uma enorme caneca de café. O conhecido ex manequim, tem o poder de nos desarmar com o seu sorriso doce, e olhar meigo, enquanto nos recebe com um olá cheio, quase cantado, que nos coloca imediatamente bem dispostos!

“Desculpa, cheguei mais cedo, e fui despachando umas coisas, isto de ser prestador de serviços…não tem horários nem locais específicos, estamos sempre a trabalhar, não dá para desligar o botão, quando nos distraímos, BUM!!! aconteceu algo no Mundo, e já perdemos uma oportunidade!”

Pedro Crispim com 16 anos pesava 100 quilos, perdeu 30 quilos sozinho (mudou radicalmente a sua alimentação, começou a andar a pé para todo o lado, corria todos os dias, e foi pela primeira vez para um ginásio), jurou que nunca mais teria aquele peso, aos 18 estava a desfilar em Milão. Hoje trabalha como Fashion Buyer, Stylist e Vitrinista, tem a sua rubrica de moda no Faz Sentido, na SIC Mulher, embora continue agenciado na Facemodels como manequim.

Deu aulas durante 11 anos em várias agências, escolas e centros de formação por todo o País. Em 2011 decidiu abrir a sua própria empresa de Serviços e Academia de Formação, que conta já com 12  formadores, muitos alunos já inseridos e a dar cartas na indústria da moda e imagem.

Realizou produções, campanhas e editoriais de moda em diversas publicações Nacionais e Internacionais. Vestiu nomes como Simone de Oliveira, Rui de Carvalho, Ana Rita Clara, Ana Marques, Cláudio Ramos, Raquel Strada, Luísa Castel-Branco, João Baião, Manuela Moura Guedes entre muitos outros, e não se imagina a fazer sempre a mesma coisa, não consegue conceber um dia igual ao outro, as rotinas chateiam-no, e prefere a incerteza, à certeza de uma vida em que sabe que não seria feliz!

Para o Alentejano nascido em Évora, que cresceu na Margem Sul, a liberdade não tem preço e ser dono do seu tempo é um luxo do qual não pretende prescindir. Um dia diz-me em tom de brincadeira que “irei arrumar os trapos, e volto para o meu Alentejo, abro um turismo rural ou um café porreiro em Vila Nova de Mil Fontes e irei ser feliz, de chinelos nos pés!”

Até lá Crispim é um dos homens com mais estilo em Portugal (ganhando em 2014 o prémio da revista LUX ), alimentando diariamente seu Instagram @pedro.crispim seguido por mais de 22.600 mil pessoas, que se inspiram nos seus looks únicos, e no seu sentido estético.

O Stylist gosta de provocar reacções nos outros. A verdade é que não deixa ninguém indiferente através das suas opiniões sem filtros, das imagens ousadas que coloca nas suas redes sociais, que já deixaram muitas mulheres e homens de boca aberta.

As expressões “não podes “ou “não deves” não existem para ele, como o próprio diz “Eu posso tudo, desde que respeite todos, nada devo a ninguém, sigo em frente de consciência tranquila e não alimento ódios, isso iria aprisionar-me, e eu sou livre, o único que me pode colocar travões sou eu mesmo, e isso, enquanto estiver lúcido nunca irá acontecer!”.

Começou como manequim em 1997, e nunca mais quis outra área para si, é a fazer os outros bonitos e a sentirem-se bem, que o escorpião de 38 anos se sente pleno e realizado!

Pedro, para começar, fala-me um pouco sobre a tua infância?

Tive um crescimento feliz, pleno, as brincadeiras e descobertas naturais de um miúdo nos anos 80 e 90. Altura em que o tempo tinha outro tempo para viver, saborear a vida e a companhia das pessoas, de uma forma muito mais próxima e pessoal, as ligações humanas eram mais fortes e cúmplices. Cresci rodeado de vivências e imagens afectivas, numa estrutura de amor e generosidade, e essa é a base da qual sou feito.

Mesmo quando na escola me chamavam maricas, chegava a casa a chorar, de rastos, não entendia o que viam os outros em mim de diferente…para mim era natural as pessoas gostarem de pessoas, o que interessava é o que sentia, não o que via.

Nessas alturas de crise tinha sempre o colo da minha avó Carolina, mãe da minha mãe, que me dizia “Pedro perdoa-os, eles não sabem o que dizem, eles não têm quem os ensine a distinguir o certo e o errado, perdoa os meninos e vais sentir-te melhor, e seguir mais leve, agora volta para a escola, porque esse problema não é teu é deles!”

A minha avó ensinou-me a perdoar quem me faz mal, mas também a sentir-me normal, incluído, e isso nos dias de hoje continua a fazer todo o sentido. Se tiverem algum problema com quem sou, esse problema é deles, e não meu!

Recordo-me de já ter um certo espírito de liderança, de ser empreendedor, de montar “barraquinhas” na rua e vender cachorros quentes, ou doces, e a minha mãe morria de vergonha (afirma enquanto ri), de lançar o “Jornal da Pequenada” que era feito nas escadas do meu prédio, juntei um grupo de amigos, e coloquei todos (alguns até contra vontade) a escrever para esse jornal sobre temas diversos. O jornal semanal era impresso no escritório do meu pai, e que depois vendíamos na zona onde morava, de porta em porta, café em café.

Na tua infância, como era a relação com a tua família?

Sempre tive a liberdade de ser e sentir de forma livre. Quando era muito pequeno brincava com bonecas, gostava de brincadeiras e projectava sonhos diferentes da maioria dos rapazes naquela altura, como os meus irmãos João, o mais velho, e Hugo, o mais novo dos irmãos, que sempre falaram e jogaram futebol. Graças a Deus tenho pais que sempre me alimentaram o lado criativo, sempre me senti desafiado por eles para experimentar, para crescer, para me superar, para ser ambicioso. Para acrescentar ao Mundo e não me limitar a tirar, para procurar respostas as minhas dúvidas, para ser humilde, e ter os pés no chão!

Recordo-me de ser manequim, e nos primeiros tempos, ir a dezenas de castings e não ficar em nenhum, e da minha mãe me dizer ” Pedro, és um homem bonito, mas existem muito mais bonitos e talentosos que tu!”, pode parecer duro, e era, mas isso fazia-me entender, reagir, renovar e explorar a minha imagem de outra maneira. Já que não era o mais bonito, nem o mais talentoso, habituei-me a ser o melhor dos profissionais, estudei, pesquisei, trabalhei para ser atento, rápido, intuitivo e explorei outras características em mim, que desconhecia até então, e até as portas que se fecharam, hoje entendo e agradeço, pois trouxeram-me até aqui.

Quando olho em redor, sinto-me um privilegiado nesse sentido. A minha família é a minha estrutura, o meu pilar, tive fases na adolescência mais complicadas e de guerras internas. E foi neles que encontrei o equilíbrio, mesmo quando não entendiam o que eu estava a viver, mas mesmo não entendendo e não concordando, sempre tive o seu colo e o seu abraço. O Mundo poderia estar a desabar, que contaria sempre com esta rede de segurança.

Porque decidiste vir para Lisboa?

Nasci em Évora, e morei até aos quatro em Beja, de onde nos mudamos para o Seixal, por motivos profissionais relativos aos meus pais, local onde cresci e estudei. Senti sempre que ali não era o meu sítio, nunca me senti ligado aquela terra, era para mim um meio pequeno, demasiado pequeno e até asfixiante, nunca me revi nos sítios, nas pessoas e nas conversas.

Queria mais, ambicionava mais, acreditava que (e embora tenha até hoje grandes e verdadeiras amizades lá), ali eu não iria passar a minha vida, e assim que tive alguma estabilidade financeira, vim viver para Lisboa.

A tua vinda para a grande cidade ajudou de algum modo a descobrires a tua verdadeira identidade?

Sim, quando comecei a estudar em Lisboa descobri aos 17 anos um novo Mundo, tudo era desafiante, brilhante e colorido. As pessoas eram diferentes umas das outras, ninguém era igual a ninguém. Senti que era em Lisboa que tinha que estar, que era aqui que fazia sentido eu viver, que somente na Capital eu iria conseguir ser eu mesmo, sem ter que me mascarar, e dar vida aos meus sonhos, que eram vividos até ali em silêncio, dentro do quarto, com uma qualquer banda sonora.

Qual foi a reação da tua família?

Tive nesse percurso vários altos e baixos, morava uns tempos fora de casa, depois o volume de trabalho diminuía e as dificuldades económicas aumentavam, e lá voltava eu para casa dos meus pais no Seixal. Isso para mim era um murro no estômago, não só por uma questão de orgulho, mas porque sentia-me a adiar os meus objetivos a atrasar os meus sonhos. Só o facto de apanhar o barco para passar diariamente o Tejo era para mim uma tortura, aquela rotina matava-me!

Apoiaram-te sempre?

Sempre, incondicionalmente, sempre me senti apoiado pela família tanto a nível emocional como económico, sempre ajudaram a alimentar sonhos e a conquistar os objectivos que ia definindo para mim.

Queria ser manequim pagaram-me um curso com os melhores profissionais da industria, queria ir fazer castings para Milão e experimentar o mercado Internacional, pagavam-me as despesas para ir tentar a minha sorte, queria fazer fotos com este ou aquele fotógrafo que estava na berra, tirar um curso no Chapitô (onde um dos formadores era o Filipe Faísca), fazer um workshop nesta ou naquela escola dentro ou fora de Portugal, ajudaram-me a pagar a carta de condução 3 ou 4 vezes e nunca a chegava a tirar. E eles sempre estiveram presentes, até acho que eu e os meus irmão fomos demasiado protegidos nesse sentido, mal habituados. Mas de facto tenho os melhores pais do Mundo!

Quem é a pessoa que melhor te conhece?

Não sei, é uma boa pergunta, mas acho que ninguém me conhece como eu sou, embora existam pessoas que acreditam conhecer-me, considero isso uma certa ousadia e até arrogância. Ninguém conhece o Pedro, porque o Pedro é mais do que o Pedro Stylist, o Filho, o Irmão, o Amigo, o Amante, o Vizinho…o Pedro não se deixa definir pelos horizontes dos outros. Sabes, na verdade eu nem sei se queria que alguém me conhecesse assim tão bem, as pessoas “vão-me conhecendo”, mas não me conhecem.

O deixarmos alguém entrar na nossa vida, no nosso coração, na nossa casa, e até na nossa cama tem que ser considerado um privilégio, o de nos conhecerem de forma crua, as nossas fragilidades e medos, a vulnerabilidade que habita em nos, sem máscaras, sem armaduras, sem filtros, é algo muito íntimo e especial.

Nem eu, às vezes me conheço a 100%, estou constantemente a fazer essa pesquisa e auto análise com esse objectivo, de melhor me conhecer, esse estudo é constante e contínuo, não têm um final. Por vezes até a mim me surpreendo, sou um ser inacabado.

Já encontraste quem te preencha na totalidade?

Já, mas tudo tem um princípio, um meio e um fim, seguimos sempre em frente mais ricos. O amor quando é amor, é eterno, e eu gosto da minha solidão, dá-me prazer estar sozinho, até ao cinema vou sozinho…quando a solidão é opcional, quando a mesma é uma escolha, pode tornar-se até um vício! 

A vida é feita de fases, a vida muda, nós mudamos com ela, e as nossas necessidades alteram-se, e as prioridades também! Já amei muito, já quis morrer por amor, já fui muito amado, já magoei, já fui magoado, já traí e já fui traído, vivi…sempre vivi aquilo que sentia, sempre fui atrás do que o meu coração me dizia…sempre foi ele a conduzir a minha vida.

Até profissional, estou nesta indústria por amor, não por dinheiro, se fosse para ficar rico não seria aqui que iria conseguir, muito menos em Portugal.

Falando, agora, da tua área profissional diz-me quais foram os teus primeiros projetos em Lisboa?

Primeiro fui manequim, concorri a um concurso de modelos, e depois tirei um curso de manequim na Visual LX com o Paulo Macedo (Director de Moda da Vogue), David Simões (Director DXL Models), Isabel Costa (Ex Miss Portugal e Ex Buyer Fashion Clinic), Patrícia Vasconcelos (Directora de Casting e da ACT) ou a Cristina Gomes (Makeup Artist).

Viajei e fiz alguns trabalhos como manequim fora do País, por cá experimentei desfiles, publicidade, fotografia, editoriais, campanhas, etc.

Quando entrei para Design de Equipamento nas Belas Artes, fui trabalhar para um loja de roupa, a Massimo Dutti, entrei como vendedor em Part-Time, era um bom vendedor e passei a Full-Time. Depois num curto espaço de tempo passei a responsável de turno, e por fim quis mudar de área dentro do retalho têxtil. A componente criativa existia e eu queria explorar mais esse lado, propuseram-me ir para gerente de uma nova loja da marca, mas declinei a proposta, essa fase para mim já estava arrumada.

Estive uns tempos a ajudar, aprender e seguir os Vitrinistas e Visual Merchandisers da MD. Depois passei então a Vitrinista da Quebramar, andei durante cinco anos fiz parte de um departamento criativo e de imagem, viajava constantemente e adorava o que fazia, e no fim passei a Responsável de criação das montras da marca.

O que te levou a embarcar nesta área da moda? Sei que já trabalhas há bastante tempo, conta-me como foi o teu percurso nesta área?

Foi paixão, queria ser “estilista” depois diziam-me para ir para manequim, desfilei durante um tempo, mas aquilo era limitativo para mim, entendi que eram mais divertidos os bastidores, mais mágico e vivo.

A área de produção e styling começaram a atrair-me e comecei a ficar atento. Como tudo na minha vida, procuro ferramentas para solidificar o meu trabalho, o que me dá mais segurança para o executar, então procurei formação nessa área, em Madrid, no Instituto IED e na ELLE em São Paulo.

Em algum momento da tua vida sentiste que te deslumbraste?

Sim, já me deixei deslumbrar. É natural quando somos novos. Não temos uma preparação para estar e viver neste meio, nem ninguém que nos ajude ou aconselhe, pode acontecer, acredito que faça parte, isso passa.

Depressa partes a cara, num instante te dececionas e te dás contas do quão efémero e descartável é este meio. Armas-te em parvo e no dia seguinte fecha-se uma porta. Depressa o meio e os seus intervenientes tratam de te colocar no lugar…e num instante tens a noção do teu tamanho real.

Alguma vez pensaste em ir trabalhar para o estrangeiro?

Sim, não vivemos numa meritocracia, como sabes, e quando terminei o Esquadrão G  (programa na SIC) em 2005 fiquei sem trabalho, tive que ir trabalhar para uma sapataria no Saldanha, a seguir para uma loja de roupa no Chiado, mas não ficava muito tempo nas empresas pois as direcções sentiam que o facto das pessoas na altura me reconhecerem era uma desvantagem e os prejudicava. Cheguei a sair na capa de um Jornal a afirmar que estava na miséria, e que precisava de trabalhar atrás de um balcão, e a empresa não gostou.

Nessa altura pensei que só ia conseguir reerguer-me profissionalmente fora de Portugal…mas acredito que esse caminho me tornou melhor pessoa e profissional.

Hoje em dia quando olho para trás e para as experiências que vivi, independentemente das dificuldades, primeiro como modelo, depois como vitrinista, e mais tarde como buyer, sinto que a minha sorte e os balões de oxigénio que tive foram uma mais valia.

Trabalhar com marcas como Tom Ford, Balenciaga, Dior, Dolce & Gabanna, Lanvin, Trussardi, Scotch & Soda, Montblanc, entre outros, deu-me uma noção de indústria e de métodos de trabalho diferentes, de timmings, de números, de trabalho de equipa, de velocidade…

E esse contraste torna-nos mais fortes profissionalmente, mas também mais criteriosos e exigentes.

Como surgiu este teu projeto, o Atelier Styling Project?

Eu e a Sandra Almeida (Makeup Artist) que possui muita experiência Internacional, em 2011 sentamos-nos, já nos conhecíamos ainda eu era manequim, e imaginámos um espaço de serviços e formação que formasse as equipas com as quais iríamos trabalhar, um Atelier com o nosso ADN e ética de trabalho, onde se cultivasse uma visão sem fronteiras da própria indústria.

E assim surge o Atelier Styling Project, mais tarde a Styling Project Mag, que pretende ser uma montra do trabalho dos nossos alunos.

Qual a fonte de inspiração para o teu dia-a-dia?

As pessoas; eu tinha que estar ligado a uma área em que podia ajudar os outros, fazê-los de alguma forma felizes. A moda tem esse poder, muitas pessoas não tem noção de que a imagem pessoal é uma ferramenta extra para o seu sucesso.

E as pessoas reais, com as quais me cruzo diariamente, a senhora da padaria, o rapaz do quiosque, a senhora da florista, são essas as minhas maiores inspirações. É para elas que trabalho, é pelas pessoas que estou na moda, somente assim faz sentido. Quando criamos algo fechados em casa, alheios ao Mundo em redor, desligado das pessoas, acabamos por produzir de forma egoísta e umbiguista. Eu trabalho tendo como ponto de partida e de chegada, as pessoas e as suas necessidades!

Nesta área da moda tão competitiva, o que achas que te distingue dos outros?

Trabalho muito, sou aplicado e não tenho ajudas. Tenho noção que fui criando muitos anticorpos por dizer a verdade, por dar a minha opinião, por dizer que não! Por não me dar com as pessoas fora dos projectos, por não alinhar em festas e jantares, por não me sentir obrigado a dizer frases feitas e não ser um tipo de elogios gratuitos!

Não presto, nem nunca prestei vassalagem a nada nem ninguém, porque devido a isso, e de forma consciente, faço e sempre fiz o meu caminho sozinho. Tudo o que tenho, tudo aquilo que vou conquistando, somente a mim agradeço, não devo favores. Essa independência pode incomodar algumas pessoas que vivem “encostadas” a meios, marcas ou pessoas.

Como descreves o teu estilo?

Não tenho um estilo definido, deixo-me vestir pelo meu mood, sou eclético, tanto gosto de andar com um look preto total, muito anos 70, porque me cansam as cores e os padrões, e aí trabalho mais os tecidos, as texturas e as sobreposições. Tanto gosto de me vestir de forma totalmente desportiva, de calças de fato treino, ténis e um boné, como me dá um prazer enorme brincar aos “elegantes” com um fato e um outfit mais sofisticado. A moda para mim é isto, a liberdade de sentir e traduzir isso na roupa, como uma mensagem que comunicamos ao Mundo, mesmo antes de abrir a boca.

Consideras-te um gentleman?

Se um dia tiver metade do trato do meu pai, se um dia for metade do que vi toda a vida o meu pai ser, sim, irei considerar-me um gentleman. Até lá observo, imito, e tento aprender algo que no meu Pai é tão elegantemente natural. E isso sim é um gentleman, é aí que está a luz, quando existe genuinidade, e não bonecos feitos.

Diz-me qual é a tua peça-chave ou as peças-chave?

Eu gosto de roupa, gosto sinceramente de trapos, vários acessórios, e esse foi o primeiro motivo que me levou a gostar de moda,  mas dentro dos básicos, os Jeans, t-shirt branca, trench-coat, uso sempre, todo o ano!

Qual o teu designer preferido em Portugal e lá fora?

Existe uma resposta politicamente correta e que não melindraria ninguém, mas não seria eu…Embora existam outros que gosto imenso, o Filipe Faísca, e lá fora Tom Ford.

És sempre assim, direto, frontal?

Sem dúvida. Avanço sempre sem receios e com a minha verdade, assumo uma opinião, aceito as consequências da mesma. Mas como assumo de forma clara tudo o resto na minha vida, a calvície, os cabelos brancos ou as estrias que tenho na pele, também a minha opinião, sou eu, num todo!

Como vês a moda no nosso País? O que achas que ainda te falta fazer nesta área?

Na indústria Portuguesa falta muita coisa, falta dinheiro, falta estrutura e apoios, falta união e respeito, trabalho de equipa, falta transparência, falta ser valorizada. Já demos alguns passos sólidos, e temos alguns nomes de sucesso que nos enchem de orgulho, como os manequins Sara Sampaio, os Gémeos Kevin e Jonathan Sampaio, Luís Borges, a dupla de designers Marques d´Almeida, o Miguel Vieira, a Fátima Lopes, o Manuel Arnaut (Actual Director da Vogue Arabia), a loja online nascida em Portugal para o Mundo a Farfetch de José Neves.

E ainda bem que temos as plataformas MODALISBOA e PortugalFashion, que acaba por ser uma estrutura que permite a apresentação das coleções do Designers Nacionais, de outra forma seria ainda mais difícil.

Mas acima de tudo falta ser respeitada pelos próprios Portugueses, como uma área profissional como outra qualquer, e das revistas Portuguesas reconhecerem e valorizarem mais os nossos designers e marcas, dando-lhes espaço quer nos artigos quer nos seus editoriais. Mas também é no “faltar” que encontramos a motivação para fazer todos os dias mais e melhor!

Em relação a mim, falta-me fazer tudo, o melhor dos projetos ainda está para acontecer!

Para finalizar, diz-me qual seria o teu maior sonho?

Os meus sonhos mudam, são organismos vivos, transformam-se e adaptam-se…quando atinjo algum objetivo ou sonho já tenho mais uns quantos para trabalhar, para fazer e ver nascer.

Texto Beatriz Reis @beatrizm_reis | Fotografias Andy Dyo @andy_dyo | Agradecimentos 39a Concept Store 39a_conceptstore

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